Samaipata (Santa Cruz de la Sierra)

Samaipata é uma cidade muito simpática que fica noa arredores da Santa Cruz de la Sierra (120km, para ser mais exata). Assim como Santa Cruz, é organizada em torno de uma praça, onde tem uma igrejinha e os habitantes ficam conversando nas horas vagas. Acho que uma boa referência para os cariocas é Lumiar, lembra bastante. Como sobrevive do turismo, a cidade é uma gracinha, tem cafés, chocolaterias, pizzarias, etc, e tudo muito decorado, dá pra ver que se preocupam realmente com a aparência dos estabelecimentos.

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Pracinha principal da cidade.

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Grafite que tinha por lá!

“Cafe 1900”, café que fica na praça e tem Wi-Fi! ♥

Quanto tempo ficar?

Isso varia muito. Eu fiquei uma noite e achei que foi o ideal, mas dá tranquilamente para fazer um bate-volta ou ficar mais tempo também, depende mesmo do quanto você gosta desse tipo de programa.

Como chegar?

De Santa Cruz, você pode ir até a esquina da  Av.Omar Chávez com a Calle Soliz de Holguín e perguntar pelos “trufis para Samaipata”. “Trufis” são como vans, ou aqueles carros maiores de 8 lugares. O preço da passagem pode variar de acordo com a quantidade de pessoas. É bem comum na Bolívia eles ficarem esperando encher o carro e só saírem depois disso. Já aconteceu de eu pagar passagem para mais uma pessoa fantasma só para sair logo. Paguei 30bs para ir e 30bs para voltar. A viagem dura em torno de 2:30/3hrs (depende do quanto o motorista quer brincar de emoção).

A viagem é tranquila?

Botei essa pergunta só para desabafar ou avisar que “é normal”. As estradas de lá são bizarras e na beira de um precipício. Os motoristas correm demais e eu achava que cada curva seria a última da minha vida. Minha dica é: bota uma música e fecha o olho. Sempre dá tudo certo, bizarramente.

O que tem para fazer lá?

Vou contar do que eu fiz, mas com certeza você pode achar outras opções de decidir ficar mais tempo.

Chegamos sábado de noite e jantamos. Os meninos decidiram sair e foram para a pior boate que já vi na vida. Decidi poupar meu tempo e ir dormir, mas eles aparentemente conseguiram ficar bêbados e encontrar mais duas festas na cidade. Domingo de manhã, fomos no mercado local tomar café e comprar folha de coca, já que Samaipata fica a 2.000m de altitude e pode já causar alguns desconfortos. Eu tive um princípio de dor de cabeça que passou logo com a folha, mas uma amiga teve dor de cabeça de verdade e ficou toda vermelha. Depois disso, fomos na praça e conversamos com um taxista que topou passar o dia com a gente por 80bs por pessoa. Ele era muito simpático e também foi uma espécie de guia turístico e nos mostrou “a cara do inca”, o que quase ninguém mostra (peça pra ver), no caminho da nossa primeira parada: o Forte de Samaipata, que fica em um sítio arqueológico que foi declarado Patrimônio Cultura da Humanidade pela UNESCO,em 1998 (Fuerte de Samaipata, em espanhol) .

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A entrada do Forte custa 50bs para estrangeiros, mas eu acabei pagando 25bs porque entrei no bolo dos meus amigos bolivianos. É bem normal na Bolívia essa diferença de preço estrangeiro/local. Você também pode contratar um guia por fora, o que acho uma boa opção, se tiver dinheiro. Como a gente não tinha, fomos com o apoio das placas mesmo e do mapinha que eles fornecem gratuitamente na entrada. Guardem essas entradas, elas dão acesso a um museu que fica perto da praça e vale a pena ir.

No forte, pude ver diversas ruínas incas bem preservadas e campos lindos de dente-de-leão. A trilha do passeio demora mais ou menos 2 horas, mas isso vai depender mesmo do seu preparo físico e de como seu corpo vai reagir à altitude. Se eu tivesse me planejado melhor, teria levado alguma coisa para fazer um piquenique porque tem diversos campos lindos e não vende comida ou água por lá, não esqueçam de levar na mochila. E também não esqueçam do repelente: onde tem mato tem mosquito.

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Depois, fomos visitar as Cuevas, que são cachoeiras bem bonitas. A entrada custa 15bs e aqui é realmente um item básico de sobrevivência o repelente. E iria além: usem calça e estejam o mais cobertos possível. Eu sou alérgica e fico cheia de calombo com picada de mosquito, foi terrível mesmo toda encasacada, não sei como conseguiram isso. No mais, o passeio é lindo e deve ser ótimo em dias de calor, quando eu fui tava uns 10ºC, nem tive coragem de ver a temperatura da água, já estava ventando muito.

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Foi basicamente isso. Depois, voltamos para a cidade, almoçamos e voltamos para Santa Cruz antes de escurecer. Façam o mesmo, não esqueçam da estrada da ida haha.

Onde me hospedo?

Sempre acho complicado isso porque depende muito do seu ritmo de viagem e de com quem você está. Eu fiquei num hostel chamado Hostal Siles (Tel: 944-6408) e paguei 50bs pela noite. Pro que eu queria, que era dormir quentinha uma noite, foi ótimo, mas eu tenho certeza de que morreria eletrocutada se ligasse aquele chuveiro. Se você é, assim como eu, mochileiro sem grana hehe, pode ir na minha que vai dar tudo certo. De qualquer forma, também recomendo ir perguntando de hostel em hostel e ir tentando negociar, é tudo pertinho. Obviamente, não precisa reservar antes, nem sei se existe essa possibilidade.

Onde comer?

Olha, outra pergunta difícil. Lá tem várias opções de restaurante, mas é tudo mais simples. Claro, você pode achar um restaurante com massa e vinho, mas eu fui mesmo na pizzaria e rachei uma com o pessoal pra ficar mais barato (pizza 12 pedações 90bs + jarra de limonada 30bs). O que eu recomendo mesmo é o Café 1900, que tá na foto ali em cima. Tem banheiro limpo e Wi-Fi e eu valorizo muito lugares com essa combinação. Isso na Bolívia é luxo, acreditem em mim.

Quanto vou gastar?

Outra coisa difícil… Eu gastei cerca de 250bs, mas dava pra ser mais barato e mais caro.

Vale a pena?

Olha, eu sou mega urbana, tenho um pouco de pânico de muita natureza (desculpe, sou assim, não posso fazer nada) e gostei de ter ido. Se você gosta de civilizações antigas, ruínas e natureza, vai curtir com certeza. Eu só teria feito uma coisa diferente antes de ir, teria estudado um pouco da civilização inca. Acho que te daria outra perspectiva do lugar.

Como senti falta disso, pesquisei alguns livros que foram elogiados na internet sobre os incas e o que mais apareceu pra mim foi A civilização Inca, de Henri Favre, da editora Zahar. Tenho certeza de que vou me arrepender de não ter lido esse livro antes, mas é a vida.

Dicas gerais

  • Um bom casaco. Quando eu fui, em setembro de 2015, tava fazendo bastante frio, tipo abaixo de 0, durante a noite.
  • Levem comidinhas e água para os passeios, não é tão fácil assim de achar e a água é realmente necessária, visto que 1. é água e 2. na trilha do forte tem várias subidas e qualquer tipo de exercício fica mais difícil a 2.000m de altitude.
  • Repelente. Abracem o repelente e façam dele seu melhor amigo. Me agradeçam depois.
  • Usem tênis para o passeio. Isso é meio óbvio, mas levem o chinelo na mochila se quiserem entrar, tem várias pedrinhas no chão.

Ah, uma última dica: se você gosta de esportes radicais, conheci um grupo lá que estava indo fazer rafting. Não sei como funciona, mas acho que vale se informar.

Santa Cruz de la Sierra/Bolívia – Chegando

Quando procuramos qualquer coisa de Santa Cruz de la Sierra no Google, podemos ler que é uma “cidade de passagem”, que “não tem nada pra fazer”. Morei lá por um mês e meio enquanto fazia trabalho voluntário e descobri um pouco mais do que isso. Minha dica é: você está indo para La Paz em uma viagem curta pela Bolívia? Fique 1 dia em Santa Cruz. Quer conhecer um pouco mais do país e está mochilando com mais calma? Passar uns 5 ou 6 dias em Santa Cruz é suficiente.

Santa Cruz é a porta de entrada da maioria dos brasileiros que chegam por ar à Bolívia, principalmente nos voos da Gol. Para chegar na Bolívia, você vai ter que preencher muitos formulários, muitos mesmo, é insuportável. Não me lembro de preencher tanta coisa nem nos EUA. Saindo do avião, chega a imigração com a divisão clássica locais/mercosul/outros. Meu voo não estava tão cheio, mas também acho que andou rápido. Como meu passaporte é do Mercosul, não me perguntaram muita coisa (estava morrendo de medo porque deixei o endereço em que eu ficaria em branco, já que eu não sabia, mas não deu nada), disse o que estava indo fazer lá, fizeram uma brincadeirinha comigo e me devolveram meu passaporte carimbado sem o limite de dias e um papel. NÃO PERCA ESSE PAPEL. Eu não perdi, mas posso  dizer que pode te dar problema. Esse é o papel que garante sua passagem pela imigração, guarde ele na doleira junto com o passaporte, vão te pedir para fazer check-in em hostels em La Paz e coisas do tipo. Além disso, você tem que entregar na saída e deve ter que pagar alguma coisa se perder. Enfim, vamos poupar aborrecimentos e apenas se agarre a esse papel como se não houvesse amanhã. Logo depois, vão te encaminhar para a sala de bagagens e eles vão abrir todas as malas do voo. De verdade. Demora uma eternidade para sair do aeroporto, estou sendo sincera.

O aeroporto é o VVI (Viru Viru) e é bem pequeno. Uma comparação mais ou menos é o Santos Dumont, mas o VVI é realmente é menor. Fica localizado a 5km do 8º anel da cidade (aqui cabe uma explicação: Santa Cruz, assim como muitas cidades da América espanhola, é organizada com uma praça no meio e anéis que irradiam dela, como se tivessem jogado uma pedrinha em um lago) e o centro fica perto do 1º anel. Para eles, o aeroporto é longe, mas para mim, que moro no Rio, acho bem tranquilo.

Organização da cidade: a praça 24 de Septiembre no meio e os anéis  irradiando. A cidade está crescendo agora para o 9º.

Você pode sair de lá com um ônibus que vai passando pelos anéis (anillos) ou de táxi. Cuidado com os taxistas. Em Santa Cruz, e na Bolívia em geral, existem mil leis, mas ninguém as cumpre, o que não é diferente com os táxis. Na teoria, eles deveriam ser brancos com uma faixa verde, mas são apenas veículos de passeio com um adesivo de táxi colado que claramente pode ter sido comprado na banca de jornal. No aeroporto, existem, sim, táxis padronizados, são brancos com faixa azul. Mire neles e evitem pegar outro. Primeiro choque cultural: não existe taxímetro, você tem que combinar o preço. Li muitos blogs que diziam para pechinchar o máximo e tudo mais, mas percebi que esse não é um costume das pessoas que moram lá. Acho que isso é mais comum em La Paz. De qualquer forma, o táxi do aeroporto até o Centro tem um preço meio padronizado, é 70 bolivianos. Você pode até tentar negociar, mas acho que vai ser sem sucesso. Preste atenção e combine isso antes de entrar no carro porque já aconteceu comigo muuitas vezes de os taxistas mudarem o preço no final ou quando eu falava uma frase com sotaque mais pesado. Bata o pé e pague apenas o combinado.

Se não tiver endereço programado e estiver na dúvida de onde ir, peça para te levarem para a Plaza 24 de Septiembre. É lá que você vai ver mais movimento, é o coração da cidade, e também tem alguns hostels por lá. Boa viagem :)