Como levar seu dinheiro em uma viagem pela América do Sul

Hoje vou tentar desmistificar a pergunta crucial de 10 entre 10 viajantes, ficando atrás apenas de “como conseguir dinheiro para viajar?” e “quanto levar para viagem x?”. Espero conseguir ajudar você a descobrir como levar seu dinheiro sagrado para a próxima viagem sem passar perrengue e gastar sem necessidade (não tá fácil pra ninguém)! :)

A primeira coisa a se considerar para decidir como você vai levar seu dinheiro é para onde você vai, o seu destino. Pode parecer meio idiota, mas faz a maior diferença do mundo saber se você vai para a Bolívia ou para a Islândia, por exemplo. Para ficar mais fácil e as dicas ficarem mais objetivas, neste post vou focar em dicas para a América do Sul.

Considerando a América do Sul, agora precisamos saber quanto tempo você vai passar fora. Se for até 15 dias, eu recomendo levar tudo em dinheiro (calma, ainda vamos falar sobre qual moeda levar) para evitar taxas, como o IOF. Se você for uma pessoa ansiosa, recomendo levar dinheiro e um cartão de crédito internacional para emergências. Se sua viagem for de mais de 15 dias, tipo um mochilão, eu já recomendo fortemente o uso de um cartão pré-pago, estilo o Visa Travel Money, por motivos de segurança.

O raciocínio é simples: quanto mais tempo viajando, mais dinheiro você terá que levar para sobreviver. Quanto mais dinheiro com você, maior o risco de você não conseguir se organizar, perder ou chamar atenção, principalmente se o tipo de hospedagem escolhido for o hostel. Fora isso, se você carrega muito dinheiro e perde sem ter como sacar mais, vai ser uma tremenda dor de cabeça que ninguém quer passar durante uma viagem.


RESUMINDO, o que EU faço e recomendo (nunca deu errado) é o seguinte:

Até 15 dias em uma viagem de baixo custo (ou seja, pouco dinheiro envolvido): dinheiro em papel.

Até 15 dias em uma viagem de médio custo ou de pessoas ansiosas (eu): dinheiro em papel + cartão de crédito internacional.

Mais de 15 dias: um pouco de dinheiro em papel + a maior parte do dinheiro em um cartão pré-pago.

Mais de 15 dias em uma viagem de pessoas ansiosas (eu): uma parte em papel + a maior parte do dinheiro no cartão pré-pago + cartão de crédito internacional.


COMO  SEPARAR O SEU DINHEIRO EM PAPEL

Paula, eu vou fazer uma viagem de até 15 dias e levar todo o dinheiro em papel e na minha carteira? Não. Não disse isso. Você vai separar o seu dinheiro em bolinhos e eles vão em lugares diferentes. Supondo que você tem 100 moedas, eu colocaria 60 moedas na doleira que anda sempre comigo embaixo da roupa, 20 moedas na mochila, que ficará trancada no hostel, e mais 20 moedas na carteira para uso diário. Outro jeito de organizar é deixar na carteira só o dinheiro que você separou para passar o dia, vai evitar que você gaste demais. Eu prefiro deixar um pouco mais para não ter que pegar dinheiro na doleira em momento nenhum durante o dia, chama muita atenção.

Lembre-se de que seu objetivo é não perder nada a não passar perrengue. Se você perder a mochila, tem que ter dinheiro com você. Se perder a carteira, tem que ter dinheiro na mochila e com você. Se perder a doleira (não faça isso), você terá pelo menos uma reserva de sobrevivência na mochila ou na carteira.

VALE A PENA UM CARTÃO PRÉ-PAGO MESMO?

Eu uso o Visa Travel Money (#jabágratuito) em todas as minhas viagens longas. Motivos:

  1. Ele permite que eu compre toda a moeda que eu quiser antes de sair do Brasil, o que é ótimo para não fazer dívidas no cartão de crédito;
  2. Uma vez que você fez a compra, o câmbio congela. Você pode dar azar de comprar a moeda mais cara do que na época que você for viajar (mas falaremos disso mais abaixo), mas na maioria das vezes o VTM te protege das flutuações do mercado;
  3. Eu posso fazer saques, o que elimina a necessidade de andar com muito dinheiro. Os saques geralmente são na própria moeda, o que é ÓTIMO e uma mão na roda, mas também podem ser na moeda do cartão (dólar, no caso da América do Sul), o que garante uma melhor cotação.
  4. É possível pagar coisas no débito. Sempre prefiro para não fazer dívidas que eu ainda vou ter que pagar depois da viagem. Prefiro gastar todo o dinheiro antes.
  5. Minha mãe pode colocar mais dinheiro do Brasil pela internet mesmo em caso de emergência. Ou seja, se eu perder o dinheiro todo da doleira, minha mãe pode recarregar meu cartão a qualquer hora para eu não passar fome. Ela vai me xingar muito, mas é uma possibilidade que alivia o coração.

Nossa, então o cartão pré-pago é muito maravilhoso!!! Por que eu não uso em todas as viagens????? Porque ele tem taxas. Além das taxas de compra do cartão, que são baixas, tipo R$30,00, você paga IOF em cima de toda a quantia que você colocar nele, ou seja, você gasta 6,38% a mais do que se viajasse só com dinheiro em papel. Logo, não é um milagre e não vale a pena para toda viagem, entendam como um investimento em segurança para viagens mais longas ou que envolvem grandes quantias.

É FÁCIL USAR UM CARTÃO PRÉ-PAGO OU UM CARTÃO DE CRÉDITO NA AMÉRICA DO SUL?

Chegamos ao motivo pelo qual a questão de pra onde você vai é tão importante. Na Europa e EUA, é mole usar qualquer cartão, todos os lugares aceitam. Na América do Sul, a coisa já é mais complicada.

Para fazer saques, nunca tive problemas com o Visa Travel Money nas grandes cidades, como Buenos Aires, Santa Cruz de la Sierra e La Paz. Sempre consegui sacar com ele em quase todos os caixas eletrônicos, inclusive em muitos em que os cartões de débito normais do BB  e do Itaú não conseguiam. Mas na Bolívia praticamente não se usa cartão, de débito ou crédito, é tudo no dinheiro, por exemplo.

Se sua viagem vai passar por cidades menores, ilhas, desertos, etc, recomendo muito você andar com bastante dinheiro em papel. Se você tem passagem por cidades maiores, recomendo que vá sacando aos poucos, mas em quantidade pra passar alguns dias, nunca para um dia só. Exemplo: se você estará em La Paz hoje, mas vai ficar 3 dias na Isla del Sol, em Copacabana, recomendo você sacar dinheiro para 4 dias. É mais fácil negociar com dinheiro também e isso faz toda a diferença no orçamento da sua viagem pela América do Sul, em que muitas coisas são negociadas na hora e em pacotes tipo paga 4 passeios leva 5.

Não recomendo depender do cartão de crédito na América do Sul.  É útil levar para ter, pagar hospitais (vamos torcer para que não) e supermercado, mas só pra isso mesmo. Vale lembrar que o IOF também incide no cartão de crédito, os mesmo 6,38%.

Se tem dúvidas de qual cartão pré-pago levar, minha experiência com o Visa Travel Money na Bolívia pode te ajudar: Bolívia – Visa Travel Money ou Mastercard?

REAL X DÓLAR X PESO (ou insira aqui a moeda do seu destino)

Essa dúvida é muto comum. Eu nunca saio do Brasil com moedas mais “fracas”, como pesos ou bolivianos. Tem alguns motivos pra isso: poucas casas de câmbio vendem essas moedas por aqui e a cotação nunca é vantajosa,  você pode acabar comprando moeda demais e morrer com moeda mais barata que o real na mão é furada, e o principal: fazer duas conversões, de real para dólar e de dólar para pesos/bolivianos geralmente vale mais a pena falando de América do Sul.

Como saber se a melhor opção realmente é comprar dólares no Brasil e depois trocar de novo no país de destino? Fazendo contas. Para isso, você precisa descobrir:

a) Quantos reais compram 1 dólar?

b) Quantos reais compram 1 moeda do seu destino?

c) Quantos dólares compram 1 moeda do seu destino?

Como você vai descobrir isso? Internet, fórum de viajantes, grupos de FB ou fazendo a louca e entrando em contato com pessoas aleatórias que morem na cidade pra qual você vai pelo FB ou Twitter. Acreditem, as pessoas são mais legais do que a gente acredita. Sites úteis:

http://g1.globo.com/economia/mercados/cotacoes/moedas/

http://economia.uol.com.br/

Por exemplo:

Você descobriu que R$2 compra U$1 (quem dera) e que R$1 compra ARS4 (pesos argentinos), mas U$1 compra ARS10. Vale mais a pena fazer duas conversões porque para comprar ARS100 com o real você vai precisar de R$25 (100 / 4 =25), mas só de U$10 (100 / 10 = 10). Para comprar U$10, você precisa de R$20 reais no nosso mundo dos sonhos (10 x 2 = 20). Ou seja, mesmo fazendo duas cotações, você economizaria R$5 a cada 100 pesos argentinos. Entenderam? A ideia é mais ou menos essa.

Simplificando: para a América do Sul, provavelmente eu levaria dólar, geralmente vale mais a pena.

TUDO BEM EU CHEGAR EM UM PAÍS DA AMÉRICA DO SUL SEM A MOEDA DELE?

Sim, tudo ótimo. Chega com seu real ou seu dólar (sempre mais seguro de trocarem) no aeroporto, rodoviária, seja o que for, e vai ter algum lugar para trocar. Troca pouco porque geralmente a cotação é ruim, só o suficiente para chegar na sua hospedagem ou no centro da cidade, onde deve encontrar diversas casas de câmbio.

Paula, não achei nenhum guichê de câmbio na cidade em que eu cheguei? Miga, que azar!!!! Tenta desenrolar de pagar em dólar mesmo, eu já consegui uma vez.

E SE EU LEVAR DINHEIRO EM PAPEL DIVIDIDO, CARTÃO PRÉ-PAGO, CARTÃO DE CRÉDITO E PERDER TUDO?

Primeiro, reflita sobre sua maturidade para viajar sozinho. Depois, não se desespere. Principalmente na América do Sul, as pessoas são muito legais, você não vai morrer de fome. Se foi roubado, vá na polícia e só saia de lá com um documento registrando o roubo. Depois, entre em contato com sua família e amigos e peça para fazerem uma transferência para você pela rede Western Union (http://www.westernunion.com.br).

A Western Union é um serviço de remessa de dinheiro internacional nominal, ou seja, sua família te manda um dinheiro do Brasil e você retira no buraco onde estiver por meio de casas cadastradas. Geralmente, as lojas que oferecem o serviço são lotéricas, mercearias e fiquei bem impressionada com a quantidade de lugares cadastrados mesmo nas áreas mais afastadas. Vai ser ótimo se você tiver um documento provando que você é você, por isso é tão importante você ter um BO em caso de perda ou roubo de documentos no exterior. Ah, as taxas do WU não são boas, mas você já tá no inferno, então abraça o capeta.

DICAS GERAIS

  • Nunca se esqueça: dinheiro junto é sinônimo de problema. Divida o dinheiro de maneira que você consiga sobreviver por dois dias caso perca a maior parte da quantia que está carregando.
  • Andar com dinheiro em papel exige organização e discrição. Nada de ficar mexendo nele na frente do hostel todo.
  • A doleira é sua melhor amiga, ande sempre com ela por baixo da roupa. Se o destino incluir praia e não for possível, deixe-a  trancada no cofre ou no armário do hostel.
  • Se perder dinheiro, não se desespere. Uma pessoa desesperada sempre pensa da maneira mais burra.
  • Se você viaja muito, compre moedas fortes ao longo do ano. Por exemplo: sobrou um dinheirinho em janeiro? Compra dólar. Sobrou R$50 em fevereiro? Compra euro ou libra. Dessa forma, você tira uma média do ano e não se prejudica tanto nas flutuações do mercado quando for a hora de viajar de novo.
  • Evite fazer grandes compras de moeda perto de eleições, plebiscitos ou grandes acontecimentos políticos no país.

Acho que é isso! Espero ter te ajudado! Qualquer dúvida, é só deixar nos comentários.

Beijos! :)

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Um comentário sobre “Como levar seu dinheiro em uma viagem pela América do Sul

  1. Bom, quero ir a Machu Pichu, mas antes quero passar no Chile. Ainda estou em dúvida com relação à moeda. Como são países diferentes, troco td aqui? Uso o cartão de crédito ou o pré-pago? Obrigado!

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